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Publicado há 15:49 | Atualizado em 03/07/18 às 03:07

#NadaJustifica: números que machucam e vozes que precisam ser ouvidas

A voz que hoje grita também é a voz que se cala. Por mais que muitas mulheres e grupos feministas tenham exposto casos de assédio, agressões e humilhações, muitas vítimas – especialmente da violência doméstica – ainda deixam de denunciar e apresentar queixa policial.

Um caso de repercussão mundial aconteceu neste ano quando atrizes de Hollywood decidiram criar um movimento para denunciar casos de abuso na indústria cinematográfica. Foram acusados atores, diretores e produtores conhecidos mundialmente. A atitude encorajou mulheres de diversos países a realizarem protestos e a falarem sobre o assunto. Além disso, o dia 8 de março (Dia Internacional da Mulher) tem sido cada vez mais uma data de luta por direitos e respeito. No Brasil, por exemplo, ocorreram manifestações em diversas cidades. Na Espanha as mulheres fizeram uma paralisação de 24 horas.

Em 2014, nas redes sociais surgiu um movimento com o título “Eu não mereço ser estuprada”. Foi uma resposta a um dado chocante revelado em uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea): segundo o estudo, 65% dos entrevistados acreditam que mulher que mostra o corpo merece ser atacada. Assim que o levantamento foi divulgado, centenas de mulheres aderiram ao protesto, fazendo postagens nas redes sociais.

Mas ainda existe silêncio, como em relação à violência doméstica. “Não há dados sobre mulheres que não denunciam os seus agressores. Então, torna-se, de fato, um número difícil de ser contabilizado. Hoje as mulheres estão mais protegidas legalmente, há mais políticas públicas, mas ainda há aquelas que não denunciam. Muitas vezes sequer sabem identificar que determinadas situações são casos de violência”, explica a coordenadora Estadual da Mulher, Suelen Dadam.

Tipos de violência

A secretária estadual de Assistência Social, Trabalho e Emprego, Romanna Remor, considera preocupantes os números da violência contra a mulher em Santa Catarina. “Para se ter uma ideia foram registrados quase 1.400 estupros aqui no Estado nos quatro primeiros meses deste ano, o que significa cerca de 350 casos por mês. Ou seja, mais de 10 casos por dia. Nesse mesmo período foram aproximadamente sete mil registros de lesão corporal em SC. Esses números são muito altos. Infelizmente a violência contra a mulher acontece diante da sociedade, às vezes sem reação”, alerta.

Conforme a Secretaria de Estado de Segurança Pública, entre janeiro e abril deste ano foram registrados 33 assassinatos de mulheres, sendo 10 casos relacionados à violência doméstica. O Estado também contabiliza 57 casos de tentativa de homicídio contra mulheres no mesmo período. Ainda no primeiro quadrimestre de 2018 foram registrados 8,4 mil casos de ameaça. O número de ocorrências de injúria, calúnia e difamação passa de 3,7 mil.

Mudança também é cultural

“Por mais campanhas que se façam para conscientização e enfrentamento da violência doméstica, ainda precisaremos de uma grande mudança cultural que passará por algumas gerações. Homens e mulheres não são vistos de forma igual. E isso precisa mudar para que a violência diminua”, comenta a delegada de Polícia Civil, Patrícia Zimmermann D’Ávila, coordenadora das delegacias de Atendimento à Criança, Adolescentes e Idosos. Ela também afirma: “As mulheres não podem aceitar situações de violência. Precisam tocar adiante os inquéritos policiais”, ao se referir ao medo que muitas sentem de denunciar os agressores.

:: Confira onde buscar ajuda

Uma das principais ferramentas legais para enfrentamento da violência contra a mulher é a lei Nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, mais conhecida por Lei Maria da Penha. Prevê medias protetivas e de assistência à mulher em situação de violência doméstica e familiar.

:: Confira a íntegra da Lei Maria da Penha

Para denunciar casos de violência contra a mulher foi criado o Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher). Em Santa Catarina, as vítimas também podem fazer denúncias à Polícia Civil pelo número 181

Tipos de violencia